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(Source: weheartit.com)
Estou me sentindo sentado no meio da rua. O sono entrou no meu quarto, quebrou os jarros, roubou as caixas e sumiu com as horas. Estou preso a dias dentro de um minuto antigo que eu não consigo sair. O sorriso não é meu amigo, nem os vizinhos e nem os antílopes, talvez os antílopes, mas esses…
QUANDO Ana me deixou - essa frase ficou na minha cabeça, de dois jeitos - e depois que Ana me deixou. Sei que não é exatamente uma frase, só um começo de frase, mas foi o que ficou na minha cabeça. Eu pensava assim: quando Ana me deixou - e essa não-continuação era a única espécie de continuação que vinha. Entre aquele quando e aquele depois, não havia nada mais na minha cabeça nem na minha vida além do espaço em branco deixado pela ausência de Ana, embora eu pudesse preenchê-lo - esse espaço branco sem Ana - de muitas formas, tantas quantas quisesse, com palavras ou ações. Ou não-palavras e não-ações, porque o silêncio e a imobilidade foram dois dos jeitos menos dolorosos que encontrei, naquele tempo, para ocupar meus dias, meu apartamento, minha cama, meus passeios, meus jantares, meus pensamentos, minhas trepadas e todas essas outras coisas que formam uma vida com ou sem alguém como Ana dentro dela.
(Caio Fernando Abreu. Sem Ana, blues, in: Os Dragões Não Conhecem O Paraíso)
Se você me amar e eu te amar, não precisamos da aprovação de ninguém para ficar juntos, como também não precisamos assinar nenhum papel ou aceitar qualquer espécie de jogo. Não acredito que maus fluidos, por mais fortes que sejam, consigam destruir um amor bonito, limpo.
(Caio Fernando Abreu. Carta a Vera Antoun.)
“Eu já quis que o destino me surpreendesse. Quis muito! Hoje eu só espero que ele não me decepcione.”
- Caio Fernando Abreu.
Não importa quantas brigas tiveram, quantos palavrões trocaram e quantos “Adeus” disseram. Se foram feitos uma para o outro, voltarão a se encontrar. (sdpm)